Comitê Brasileiro das Ligas do Trauma: os primeiros passos

27 de fevereiro de 2020


Por Daniel Souza Lima

As ligas acadêmicas representam uma importante atividade extracurricular dos cursos da área de saúde, em especial do curso de Medicina. Atualmente as ligas estão presentes em quase totalidade das Escolas Médicas no Brasil, sejam elas públicas ou particulares. O movimento de ligas acadêmicas teve origem em nosso País e algumas experiências internacionais têm seguido este modelo de desenvolvimento acadêmico, influenciada principalmente pelas Ligas do Trauma.

O crescimento das Ligas do Trauma evidenciado, sobretudo, no início da primeira década, teve como efeito natural o surgimento de uma organização nacional representativa, hoje o conhecido Comitê Brasileiro das Ligas do Trauma (CoBraLT). Nas próximas linhas vamos relembrar e descobrir fatos históricos que estruturaram a criação do CoBraLT e que ao mesmo tempo influenciaram a evolução das ligas acadêmicas no Brasil.

Ligas Acadêmicas no Brasil

            O primeiro registro de formação de liga acadêmica foi em 1920, referente à Liga de Combate à Sífilis da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Naquela época, os estudantes passaram a se reunir em grupos de estudos com a finalidade de aprofundar os conhecimentos sobre a sífilis e começaram a atuar com a comunidade externa à universidade, montando postos de profilaxia e tratamento gratuito à população.

Até a década de noventa são escassos os registros de atividades de ligas acadêmicas ou ações estudantis similares. Já na virada do século as Escolas Médicas presenciaram uma rápida expansão de diversas ligas, envolvendo temas de várias disciplinas básicas e de especialidades. A tríade tema, alunos e orientador era facilmente alcançada e logo despertava interesse para criação de outras. Um efeito que era observado na época era a criação de novas ligas por alunos que não conseguiram participar das ligas pioneiras em suas Escolas Médicas.

Em 2002, o Diretório Nacional dos Estudantes de Medicina – DENEM, já tendo conhecimento da propagação das ligas, publicou um guia para construção de Ligas Acadêmicas, com o objetivo de melhor orientar a criação e esclarecer pontos chaves dos princípios que compõe a formação desta organização acadêmica. Naquela época a DENEM utilizava os encontros acadêmicos, como os Encontros Regionais dos Estudantes de Medicina (EREM), para realização de oficinas de orientação e troca de experiências.

Nas Universidades as ligas integram-se como projetos de extensão e nas faculdades médicas privadas os alunos têm alcançado apoio, através da elaboração de projetos estruturados e organização no desempenho das atividades. Inicialmente era comum uma visão contrária às iniciativas de ligas por parte da coordenação do Curso de Medicina, muito mais por desconhecimento e de percepções que não se concretizaram. Como por exemplo, a liga ser uma prática de especialização precoce. Não foi observado o determinismo de especialização médica dos ex – integrantes de ligas e suas futuras escolhas de residência médica.

Ligas do Trauma

A primeira Liga do Trauma foi criada em 1991, pelo Prof. Dr. Mario Mantovani, na Faculdade de Medicina da Universidade de Campinas (UNICAMP). Na verdade, Dr. Mantovani foi o grande responsável pela evolução e crescimento das Ligas do Trauma no Brasil (figura 1). Nos anos seguintes, outras ligas foram criadas nas escolas médicas paulistas, em especial sob influência de professores que integravam a Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado – SBAIT. Algumas ligas criadas foram associadas às disciplinas curriculares de Cirurgia do Trauma e Emergência. No entanto, naquela época e que ainda permaneceu comum na última década, muitas escolas médicas não contemplavam na grade curricular uma disciplina de cirurgia do trauma e/ou emergência. Esta deficiência na formação médica representou a principal motivação para a abertura crescente de Ligas do Trauma.


Figura 1. Foto do Dr. Mario Mantovani durante o XI CoLT realizado em Belém – PA (2009).
Fonte: arquivo pessoal do autor.

O objetivo inicial envolvia sanar tal deficiência curricular no estudo da doença trauma, mas principalmente ser um mecanismo de conscientização e exigência para inclusão da disciplina de trauma durante as reformas curriculares dos cursos de medicina. Este preceito era constantemente enfatizado e propagado pelo Dr. Mantovani nos eventos das Ligas do Trauma.

Historicamente as Ligas do Trauma foram as pioneiras nas escolas médicas e a partir delas outras ligas foram sendo criadas. Mas mantendo os mesmos princípios de atividade e organização, com base nas ações de ensino, pesquisa e de extensão universitária. As denominações das Ligas de Trauma variam entre “Trauma e Emergência”, “Cirurgia do Trauma” e ”Cirurgia de Emergência e Trauma” (figura 2).


Figura 2. Brasão da Liga do Trauma da UFMA, a 1ª liga criada nesta Universidade e uma das pioneiras no Nordeste.
Fonte: arquivo pessoal Daniel Lima.

No final da década de 90, as Ligas do Trauma já eram bem conhecidas das escolas médicas na região sudeste, especialmente em São Paulo. Fato que levou a realização de um evento para aproximar estas ligas, surgindo assim o I Congresso Brasileiro das Ligas do Trauma (CoLT), em 1999, na cidade de Campinas – SP (figura 3). O evento surgiu por iniciativa principal da Liga de Trauma da Unicamp, a qual tinha como orientador o Dr. Mantovani. O CoLT contribuiu para propagação, divulgação e agregação das ligas. Realizado anualmente, o congresso manteve-se sediado em São Paulo até 2001, quando em 2002 foi realizado na cidade de Porto Alegre, organizado pelas Ligas de Trauma existentes no Rio Grande do Sul. Já no ano de 2005 o congresso chegou à região norte e nordeste, sendo realizado na cidade de São Luís, pela Liga de Trauma da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). No ano seguinte, em 2006, a sede foi a cidade de Fortaleza, organizada pela Liga de Trauma da Universidade Federal do Ceará (UFC). Em 2016, o CoLT alcança sua 18ª edição e representa o principal e maior evento de Ligas Acadêmicas realizada no Brasil.


Figura 3. Cartaz do 1º Congresso Brasileiro das Ligas do Trauma – CoLT realizado em 1999.
Fonte: http://cobralt.com.br/colt/

Ainda na década de 90, a SBAIT realizava diversas atividades de atenção à doença trauma, com ênfase nas melhorias da assistência médica e na formação profissional. Iniciaram no Brasil os programas de capacitação do Comitê de Trauma do Colégio Americano dos Cirurgiões, o Advanced Trauma Life Support – ATLS© e o Prehospital Trauma Life Support – PHTLS©, os quais contavam com a participação de alunos de medicina, em sua maioria integrantes das ligas ou também chamados ligantes, atuando como pacientes simulados. O período foi muito propício para o surgimento de novas ligas, até mesmo pela contribuição da propagação do sistema pré-hospitalar no Brasil e em seguida com a criação do SAMU 192, em 2004, pelo Ministério da Saúde.

O Comitê das Ligas do Trauma

A aproximação com a SBAIT, consolidada na gestão do Dr. Mantovani de 1999 a 2002, propiciou um importante espaço para as Ligas do Trauma nesta sociedade médica. A evolução naturalmente exigiu uma organização que representasse os interesses comuns das ligas e assim, surgiu dentro da SBAIT o Comitê das Ligas do Trauma. A prevenção foi uma das frentes de ação realizada em conjunto com os estudantes de medicina, e consequentemente com suas Escolas Médicas.
Em 2002, o Comitê das Ligas teve sua primeira participação em um Congresso profissional, durante o XV Congresso da Sociedade Panamericana do Trauma (SPT) / V Congresso Nacional da SBAIT realizado na cidade de São Paulo – SP (figura 4). Com uma Mesa Redonda presidida pelo próprio Dr. Mantovani, acadêmicos ligantes da Faculdade de Medicina de Sorocaba, Jundiaí e Unicamp, apresentaram as ações das ligas na comunidade, o papel na formação e a importância da elaboração de um livro das Ligas do Trauma. Além dessa atividade, paralelamente os dezenas de ligantes se reuniam com intuito de trocar experiências e discutir estratégias de formatação do Comitê das Ligas. O qual foi presidido inicialmente pelo acadêmico Marcello Schmidt da Unicamp. Outro importante espaço conquistado em evento médico foi alcançado no ano seguinte, em 2003, durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) realizado na cidade de Porto Alegre. Neste ano foi realizado o I Encontro das Ligas do Trauma no Congresso do CBC (figura 5).


Figura 4. Diversos integrantes das Ligas do Trauma do Brasil e membros do Comitê das Ligas durante o XV SPT / V SBAIT realizado em São Paulo – SP, em 2002. Ao centro Dr. Mario Mantovani e a sua frente o acadêmico Marcelo Schmidt.
Fonte: arquivo pessoal do autor.

O projeto de elaboração do livro das Ligas do Trauma, com intuito de determinar o que deve ser ensinado em todas as Faculdades de Medicina, como currículo mínimo e básico, foi concretizado em 2005 com o lançamento da obra “Suporte Básico e Avançado de Vida no Trauma” (figura 6). Em 2009, uma nova publicação titulada “Controvérsias e Iatrogenias no Trauma” foi lançada durante o CoLT de Porto Alegre (figura 7). Nesta segunda obra participaram 40 Faculdades de Medicina, através de suas Ligas do Trauma, com a efetiva participação do seus docentes orientadores. O compromisso de promover e servir a comunidade científica continua nesta nova obra que integra o cerne das Ligas do Trauma.


Figura 5. Registro da mesa redonda do Encontro das Ligas do Trauma no Congresso do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, realizado no Rio de Janeiro em 2005. Da esquerda para direita: Augusto Schmidt, Prof.Ricardo Breigeron, Inácio Guimarães, Daniel Lima, Prof. Mario Mantovani, Prof. Hamilton Petry, João Pedro Sidou e Thiago Carvalho.
Fonte: arquivo pessoal do autor.

A breve experiência com o recém Comitê da SBAIT e a grande expansão existente das Ligas do Trauma pelo Brasil permitiram que ainda em 2003 fosse dado origem ao Comitê Brasileiro das Ligas do Trauma, o CoBraLT. O Comitê da SBAIT ainda continuou atuante com representatividade das Ligas do Trauma nas diversas atividades da sociedade. Anos depois o Comitê foi englobado pelo próprio CoBraLT, institucionalizando a parceria com a SBAIT.


Figura 6. Dr. Mario Mantovani no lançamento do livro “Suporte Básico e Avançado de Vida no Trauma”, realizado no VII CoLT em São Luís – MA no ano de 2005.
Fonte: arquivo pessoal do autor.


Figura 7. Registro pessoal do autor com o Dr. Mario Mantovani durante o lançamento do 2º livro das Ligas do Trauma – “Controvérsias e Iatrogenias na Cirurgia do Trauma”, durante o IX CoLT em Porto Alegre – RS, no ano de 2009.
Fonte: arquivo pessoal do autor.

O Comitê Brasileiro das Ligas de Trauma (CoBraLT)

            O CoBraLT surgiu por iniciativa das Ligas do Trauma envolvidas no Comitê das Ligas da SBAIT no ano de 2003, sob coordenação do Dr. Mantovani e demais médicos orientadores de ligas que integravam a SBAIT. O CoBraLT  foi criado como  associação estudantil, formada pela união das Ligas do Trauma do Brasil, constituindo como sociedade civil e sem fins lucrativos. Até o ano seguinte o ligante Marcello Schmidt da Unicamp, assumiu a frente da recém-criada instituição. Entre 2003 e 2004 a coordenação ficou a cargo do acadêmico Carlos Pantanalli da Liga do Trauma da Pontífica Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

O estatuto original foi apresentado naquele mesmo ano durante I Encontro das Ligas do Trauma, no Congresso do CBC em Porto Alegre, e em seguida aprovado no CoLT. Os editores que participaram da versão original foram: Prof. Antônio Crespo (Liga do Trauma da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre – FFFCMPA), Prof. Àtila Velho (FFFCMPA); os ligantes Marcello Schmidt (Unicamp), Gustavo Laporte (FFFCMPA), Marcelo Haertel (FFFCMPA), Carlos Pantanalli (PUC-PR). Em 2004, foi empossada a primeira gestão oficialmente constituída (figura 8), composta pelos seguintes membros e suas respectivas Ligas:

Gestão 2004 – 2005

Daniel Souza Lima (Presidente)
Liga Acadêmica do Trauma e Emergência do Maranhão (LATE-MA)

Felipe Peraro Azambuja (Vice-presidente)
Liga de Emergência e Trauma da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (LET- UFCSPA)

William Augusto Casteleins Cecilio
Liga Acadêmica do Trauma do Hospital do Trabalhador – Universidade Federal do Paraná (LiAT – HT – UFPR)

Renan Vinícius Pinheiro
Liga do Trauma e Emergência da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade José do Rosário Vellano – UNIFENAS (LITE-UNIFENAS)

Augusto Schimidt
Liga do Trauma da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (LT – UNICAMP)

David Silveira Marinho
Liga do Trauma da Universidade Federal do Ceará (LT-UFC)

Caroline Luz
Liga do Trauma, Emergências e Terapia Intensiva da Universidade de Ribeirão Preto (LiTETI-UNAERP)


Figura 8. Registro de parte dos integrantes da 1ª gestão oficial do CoBraLT empossada durante o VI CoLT realizado em Curitiba – PR, em 2004. Da direita para esquerda: Felipe Azambuja, Carlos Pantanalli (emocionado), Dr. Mario Mantovani, Daniel Lima e Marcelo Haertel.
Fonte: arquivo pessoal do autor.

Uma das primeiras ações da gestão 2004-2005 foi o estabelecimento da marca CoBraLT, através de um concurso entre as Ligas do Trauma de modelos gráficos para escolha em votação. O brasão escolhido foi criado pela Liga do Trauma da Universidade Federal do Ceará (figura 9).


Figura 9. Os logotipos finalistas para a escolha do brasão do CoBraLT realizado no ano de 2004.

Finalidades Gerais

A proposta do CoBraLT é de contribuir com as melhorias da assistência ao Trauma, através da atuação acadêmica. Tendo como finalidades reunir e representar todas as Ligas do Trauma do Brasil, além de estimular a criação de novas ligas. Em 2005 já haviam registradas cerca de 70 ligas em todas as regiões do País e muitas eram descobertas quanto da participação dos seus membros no CoLT.
Outra finalidade é planejar ações conjuntas, objetivando o ensino, a extensão, a prevenção e a pesquisa do Trauma e Emergências Médicas. Como por exemplo, o projeto “Salvando Vidas”, lançado em setembro de 2015, que visa ensinar e conscientizar o público leigo em geral sobre os primeiros socorros utilizados em 10 situações comuns de urgência e emergência presenciadas no dia a dia, contribuindo para a prevenção das situações fatais relacionados à área de urgência, emergência e trauma no Brasil.
A propagação do conhecimento que possa contribuir para a boa formação acadêmica dos alunos das áreas de saúde, em especial emergência e trauma; colaborar com a saúde e elaborar propostas para melhorar a qualidade de vida da população, e promover o intercâmbio entre os ligantes são as demais finalidades do CoBraLT.

Organização e Estruturação

A composição organizacional compreende: Assembleia Geral, Diretoria e os Comitês Regionais. A Assembleia Geral é o órgão soberano sobre os demais e ocorre anualmente durante o CoLT. São decididas por votação as propostas das sedes dos congressos, eleição da nova gestão e demais assuntos relacionados com a manutenção, fortalecimento e crescimento da entidade (figura 10).


Figura 10. Assembléia Geral do Comitê das Ligas do Trauma durante o IV CoLT em Porto Alegre – RS, em 2002. A partir de 2004, oficializando como Assembléia Geral do CoBraLT.
Fonte: arquivo pessoal do autor.

A diretoria é composta pelo Presidente, Vice-Presidente, Tesoureiro, Secretaria, Diretor de Divulgação, Diretor Científico e de Eventos, Diretor de Intercâmbio.  Cada gestão tem o período de 1 ano para suas atividades e preferencialmente, o Presidente eleito é membro da liga que sediará o CoLT do ano seguinte a eleição.
Para facilitar a organização nacional e fortalecer os vínculos entre as Ligas, geograficamente mais próximas, o CoBraLT possui os Comitês Regionais. Inicialmente envolvia as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. No entanto, com a maior concentração de Escolas Médicas e ,consequentemente de Ligas do Trauma na região Sudeste, esta foi desmembrada na Regional Espírito Santo/Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Outra ação dos Comitês é o estímulo e apoio na realização do Pré-CoLT.
Cada órgão possui suas funções definidas no estatuto da entidade, homologada na Assembleia Geral e também a apresentação do relatório de atividades de cada gestão durante o CoLT. Em 2004, foi criado o Comitê Assessor das Ligas do Trauma (CALT) composto por cinco membros ligantes ou ex-ligantes, com experiência e perfil adequado (figura 11). A proposta do CALT era que funcionasse como um conselho consultivo e de orientação da Direção do CoBraLT quando fosse por ela solicitado. Além disso, supervisionar as atividades em prol da manutenção da ordem e disciplina ao estatuto da entidade. O tempo de duração no CALT era de 02 anos e seus membros indicariam os sucessores para aprovação em Assembleia. Atualmente o CALT não se encontra ativo.


Figura 11. Primeiros membros do Comitê Assessor das Ligas do Trauma (CALT), eleita durante a Assembleia Geral do VI CoLT em Curitiba – PR. Da esquerda para direita: Mario Eduardo Mantovani, Carlos Pantanalli, Sheila Sá, Dr. Mantovani e Luiz Holanda.
Fonte: arquivo pessoal do autor.

Atividades

A essência da funcionalidade das Ligas do Trauma é que norteia as atividades do CoBraLT, ou seja, ações de desenvolvimento na área do ensino, da pesquisa e da extensão, os quais são o tripé de apoio do processo de ensino-aprendizagem das universidades brasileiras.
A integração das Ligas através de várias estratégias e ações com intuito de fortalecer a estruturação de cada uma delas, motivando os ligantes e orientando de forma permanente o processo de continuidade é parte fundamental das atividades desempenhada pelo CoBraLT.
Nos últimos anos, o desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação, as mídias sociais, facilitaram sobremaneira a integração entre as ligas sob organização e supervisão do CoBraLT. A ferramenta de reuniões virtuais são atualmente fácil de serem realizadas, diminuindo a distância geográfica e potencializando as atividades.
Importante atividade desenvolvida é ser responsável pela realização do CoLT anualmente, garantindo a qualidade técnica e científica do evento. Além de assegurar a ampla participação do maior número possível de ligantes e suas respectivas Ligas do Trauma. O CoLT é o momento maior de congregação das ligas e o resultado desta integração objetiva o fortalecimento destas instituições acadêmicas genuinamente brasileira.

Considerações Finais

Certamente as Ligas do Trauma e sua entidade nacional representativa, o CoBraLT foram um dos principais fatores determinantes no crescimento e estabelecimento das Ligas Acadêmicas nas Escolas Médicas no Brasil. Tornando-se modelo e ao mesmo tempo incentivadora pelas experiências exitosas alcançadas em sua trajetória. Neste caminho não se pode esquecer o destaque da valiosa e honrosa contribuição do Dr. Mario Mantovani, considerado o “pai” das Ligas do Trauma, que com sua visão acadêmica deslumbrou décadas atrás toda a dimensão alcançada atualmente pelas Ligas. Muitos desafios existem inerentes à realidade social, política e educacional do Brasil. Mas a motivação, consciência e criatividade dos hoje acadêmicos ligantes e amanhã futuros profissionais com uma perspectiva diferenciada irá contribuir com as melhorias de atenção a saúde da nossa população.

 

Bibliografia

Mantovani M. Suporte básico e avançado de vida no trauma. São Paulo: Atheneu, 2005.

Mantovani M. Controvérsias e Iatrogenias na Cirurgia do Trauma. São Paulo: Atheneu, 2007.

Burjato Jr DB. História da liga de combate à sífilis e a evolução da sífilis na cidade de São Paulo (1920-1995). 1999. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

Bastos MLS et al. O papel das ligas acadêmicas na formação profissional. Jornal Brasileiro de Pneumologia [online], Brasília, v. 38, n. 6, p. 803- 805, nov./dez. 2012.

Azevedo RP, Dini PS. Guia para construção de Ligas Acadêmicas. Ribeirão Preto: Assessoria Científica da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina, 2003. Arquivo pessoal do autor.

*Parte das informações aqui relatadas são fruto da vivência do autor a partir de 2002 com as Ligas do Trauma, Comitê das Ligas do Trauma da SBAIT e CoBraLT. Membro fundador da Liga do Trauma e Emergência do Maranhão da Universidade Federal do Maranhão em 2002; Presidente do CoBraLT na gestão de 2004 – 2005; Membro do CALT de 2006 a 2009. Atualmente  Prof. Orientador da Liga do Trauma, Emergência e Terapia Intesiva da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e colaborador da Liga do Trauma da Universidade Federal do Ceará.

As informações aqui explanadas não retratam a opinião deste comitê ou de seus membros, apenas a do colunista.

 


DANIEL SOUZA LIMA

CIRURGIÃO DE TRAUMA E EMERGÊNCIA
PROFESSOR DO CURSO DE MEDICINA DA UNIFOR
ORIENTADOR DA LIGA DE TRAUMA, TERAPIA INTESIVA E EMERGÊNCIA DA UNIFOR (LITEMI)
SOUZADL@HOTMAIL.COM
@DANIELSOUZALIMAA (INSTAGRAM)

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