Convulsões

8 de setembro de 2021


CONVULSÕES

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 5 a 10% das pessoas apresentarão pelo menos uma crise convulsiva ao longo da vida. Para um país como o Brasil, gigante em extensão e em número de habitantes, isso representa 10 a 20 milhões de pessoas apresentando convulsões – em casa, nas ruas, na escola, no shopping… Se olharmos apenas para a chamada convulsão febril, a prevalência é de 3 a 5%, afetando crianças ao redor de todo o mundo!

Já a epilepsia afeta cerca de 65 milhões ao redor do mundo, sendo que quase 80% dos casos estão em países de baixa e média renda. Segundo o relatório “Epilepsy, a public health imperative”, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, 75% das pessoas com a doença que vivem nessas localidades não recebem tratamento adequado.

Os autores Marino e colaboradores, e Fernandes e colaboradores, encontraram prevalências de 12 pessoas com epilepsia a cada 1.000 habitantes na Grande São Paulo e de 17 pessoas epilepsia ativa para cada 1.000 moradores de Porto Alegre.

O QUE É UMA CONVULSÃO?

A crise convulsiva é uma ocorrência transitória de sinais/sintomas decorrentes de atividade neuronal anormal excessiva ou síncrona no cérebro. Pode ser provocada por uma causa imediata identificada (intoxicação, distúrbio metabólico, abstinência de drogas, trauma neurológico), ou não ter uma causa ainda conhecida pelo paciente.

O QUE É A EPILEPSIA?

A epilepsia é uma desordem cerebral com predisposição permanente a gerar crises convulsivas com consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais. É preciso que ocorram duas ou mais crises convulsivas em mais de 24 horas para se estabelecer o diagnóstico de epilepsia. Afeta pessoas de todas as idades, com picos entre crianças e pessoas com mais de 60 anos.

ATENÇÃO: CONVULSÃO É DIFERENTE DE EPILEPSIA! Portanto, apesar de serem termos muitas vezes usados de forma intercambiável, e incorreta: ter uma convulsão não significa ter epilepsia!

QUAIS PODEM SER AS CAUSAS DE UMA CONVULSÃO?

A crise convulsiva pode ocorrer por:

  • Lesões neurológicas (trauma, hemorragia cerebral, tumores, falta de oxigênação no cérebro, alterações estruturais);
  • Intoxicação por drogas ou produtos químicos;
  • Alterações no metabolismo como hipoglicemia (baixo açúcar no sangue) ou desequilíbrio dos eletrólitos do corpo (cálcio, sódio, potássio);
  • Alterações da pressão arterial, efeitos colateral provocados por medicamentos, febre, doenças como epilepsia, e doenças infecciosas (tétano, meningite,malária);

São inúmeras possíveis causas para um episódio, além de uma causa específica poder não ser encontrada em muitos casos.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS QUE APARECEM ANTES DE UMA CONVULSÃO?

A pessoa pode apresentar sentimentos súbitos de medo ou ansiedade, alterações como dor ou desconforto no epigástrio, tontura e alterações da visão. Esses sintomas podem durar segundos. O conjunto desses sintomas constitui a aura.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS QUE APARECEM DURANTE UMA CRISE CONVULSIVA?

  • Perda de consciência seguida por queda;
  • Espasmos musculares incontroláveis;
  • Saída de líquido ou espuma pela boca;
  • Dentes cerrados involuntariamente com lesões na língua por mordedura;
  • Lábios azulados;
  • Movimentos oculares rápidos e súbitos;
  • Fala incompreensível ou ruídos;
  • Perda do controle esfincteriano da bexiga ou intestino;

Além disso, existem casos ” parciais “, com apenas alguns desses sintomas, em quadros mais brandos.

O QUE EU FAÇO SE EU PRESENCIAR UMA CONVULSÃO?

  • Primeiramente, tente manter a calma e ligue para um serviço de emergência. Além disso, preste atenção no que acontece com a vítima durante e após a crise – isso é importante para os socorristas e o tratamento médico posterior;
  • Preste atenção:
  • Que tipo de movimento do corpo ocorreu?
  • Quanto tempo durou a convulsão?
  • Como a pessoa agiu imediatamente após o ataque?
  • Existem lesões?
  • Tome alguns cuidados.
  1. Proteja a pessoa de uma lesão: repouse-a suavemente no chão com algo macio sob a cabeça, principalmente se der sinais de que irá cair;
  2. Tente afastar os móveis ou outros objetos que possam ferir a pessoa durante o episódio;
  3. Vire a pessoa para o seu lado com a boca para baixo se não encontrar resistência, especialmente se houver vômito;

O QUE NÃO FAZER DURANTE UMA CRISE CONVULSIVA?

  • Não tente acordar, segurar ou chacoalhar a pessoa;
  • Não tente impedir a crise;
  • Não dê tapas na pessoa;
  • Não jogue água na pessoa;
  • Não dê medicamentos durante a crise – ela pode se engasgar;
  • Não introduza objetos na boca da pessoa – ela pode se engasgar, e Isso pode causar ferimentos, como dentes lascados ou fraturas de mandíbula, e o socorrista pode acabar sendo mordido;

O QUE É CONVULSÃO FEBIRL?

É a desordem neurológica mais comum em lactentes e crianças pequenas, ocorrendo em 2 a 5% dos menores de cinco anos. Após a primeira crise febril, 2/3 das crianças não terão mais crise!

A convulsão febril é um tipo de convulsão generalizada, com perda da consciência da criança, abalos generalizados nos braços e pernas, virada dos olhos para cima e dificuldade de respiração. Costuma durar poucos minutos, sempre em crianças pequenas, associada à rápida elevação da temperatura corpórea (febre) devido a alguma infecção. É, portanto, uma resposta do cérebro desta criança à condição e à velocidade de elevação da febre!

O QUE EU FAÇO AO PRESENCIAR UMA CONVULSÃO FEBRIL?

Os passos a serem seguidos são os mesmos já relatados para qualquer convulsão! Além disso, é de extrema importância aferir a temperatura da criança no momento do quadro, sem tentar reduzir a febre com remédios durante a crise (que podem ser fonte de engasgo ou aspiração).

Chame o socorro, e mesmo caso a convulsão pare, é recomendada a ida até o hospital para um exame médico-pediátrico detalhado, a fim de verificar o que causou a febre e instituir o tratamento necessário. Mantenha a calma e lembre-se que, após a crise, a criança pode ficar sonolenta, acordando aos poucos.

 

 

CONVULSÃO FEBRIL É PREDITOR DE GRAVIDADE?

Na maioria das vezes, não! Apesar de ser assustador para os pais no momento do quadro, este tipo de crise é benigna, e a maioria absoluta dos pacientes acometidos não terá nenhuma lesão cerebral, retardo de desenvolvimento, inteligência ou dificuldades de aprendizado. Também é importante dizer que ter um episódio de convulsão febril não significa epilepsia futura. Esta chance é de cerca de 1%, muito pequena.

 

 

REFERÊNCIAS

Epilepsy: a public health imperative. Summary. Geneva: World Health Organization; 2019 (WHO/MSD/MER/19.2). Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.

Marino R Jr, Cukiert A, E. P. [Epidemiological aspects of epilepsy in São Paulo: a prevalence study]. Arq NeuroPsiquiatr. 1986:243-54.

Fernandes JG, Schmidt MI, Monte TL, Tozzi S, JW S. Prevalence of epilepsy. The Porto Alegre Study Epilepsia [Internet]. 1992

O BONDE. Conheça os primeiros socorros necessários em caso de convulsão. Disponível em: https://www.bonde.com.br/saude/corpo-mente/conheca-os-primeiros-socorros-necessarios-em-casos-de-convulsao-493349.html. Acesso em : 16 abril 2021.

ALMEIDA, Clarissa. Você sabe o que fazer em caos de crise convulsiva febril?. Portal PEBMED, 2018. Disponível em: https://pebmed.com.br/voce-sabe-o-que-fazer-em-caso-de-crise-convulsiva-febril/. Acesso em: 16 abril 2021.

LACERDA, Rita. A manobra de Heimlich salva vidas em caso de engasgo. Disponível em: https:///www.clinicamarcosandrade.com/post/a-manobra-de-heimlich-salva-vidas-em-caso-de-engasgo. Acesso em 16/08/2021.

KAWASAKI, Roberto. Conheça a manobra de Heimlich, para desengasgo. Disponível em: https://www.imparcial.com.br/noticias/conheca-a-manobra-de-heimlich-para-desengasgo,44229. Acesso em 16/08/2021.

Hospital Paulista. Crianças em casa: engasgo e introdução de objetos no nariz ou ouvido pode ser perigoso. Acesso em: https://www.hospitalpaulista.com.br/criancas-em-casa-engasgo-e-introducao-de-objetos-no-nariz-ou-ouvido-pode-ser-perigoso/. Acesso em 16/08/2021.

Herlon Saraiva Martins et al. Medicina de emergência: revisão rápida. 1. ed. Barueri – SP: Manole, 2017. 1266 p. ISBN 978-85-204-3307-2.

AHA. Adult Basic Life Support. 2020 International Consensus on Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Science With Treatment. Recommendations. Circulation. 2020;142 (suppl 1):S41–S91. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000892. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/cpr-and-ecc-guidelines.

Ministério da Saúde e Confederação Nacional dos Transportes. Desmaio e convulsão: você sabe agir em caso de convulsão? (Folder impresso). DIsponível em: https://bvsms.saude.gov.br/convulsao/. Acesso em 16 abril 2021.

 

 

 

 

 

QUESTÕES

  • Em caso de vítima com convulsão, o socorrista deve protegê-la de traumas, impedindo que se machuque, mas não deve tentar contê-la durante a crise convulsiva.
  1. a) CERTO
  2. b) ERRADO

 

  • Sobre as crises convulsivas, marque a alternativa correta
  1. É mais comum no sexo feminino
  2. Crises convulsivas não estão associadas a doenças sistêmicas
  3. Convulsões febris acometem crianças de 3 meses a 5 anos de idade
  4. Crises convulsivas febris com frequência deixam sequelas

 

  • Durante uma crise convulsiva todas as atitudes seguintes são adequadas, EXCETO:
  1. Repouse-a suavemente no chão com algo macio sob a cabeça
  2. Afastar objetos que possam ferir a pessoa;
  3. Segurar a pessoa e tentar parar a crise;
  4. Virar a pessoa de lado com a boca para baixo;

 

  • Após um episódio de convulsão, qual das alternativa abaixo pode ser adotada?
  1. Oferecer água para a vítima se acalmar;
  2. Não permitir que a pessoa dirija, nade, suba escadas ou opere máquinas até que tenha visto um médico;
  3. Pedir para a pessoa permanecer deitada;
  4. Não há necessidade de levar a pessoa ao hospital caso ela acorde bem.

 

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