Prevenção ao Trauma Infantil

12 de agosto de 2021


A terminologia Trauma em medicina admite vários significados, todos eles ligados a acontecimentos não previstos e indesejáveis que, de forma mais ou menos violenta, atingem indivíduos neles envolvidos, produzindo-lhes alguma forma de lesão ou dano. O trauma infantil ocorre em crianças de até 12 anos de idade incompletos e pode englobar as perturbações causadas subitamente por um agente físico, de etiologia, natureza e extensão muito variada, podendo acontecer em diferentes partes do corpo.

No mundo, 1 milhão de crianças morrem por causas traumáticas anualmente. Já no Brasil de acordo com o Ministério da Saúde (2018), cerca de 3,6 mil crianças brasileiras morrem por ano vítimas de eventos traumáticos e em média 111 mil são hospitalizadas na rede pública de saúde. Segundo a Organização Não Governamental (ONG) Criança Segura (2017), os traumas infantis que mais tiram vidas de crianças e adolescentes de zero a 14 anos são os eventos relacionados ao trânsito, em seguida estão os afogamentos e a sufocação, segundo os registros de 2017, o último ano com dados consolidados.

Os eventos relacionados ao trânsito representam 32,5% das mortes. A figura 1 mostra a distribuição das causas de mortes, em que 26,1% são os afogamentos e a sufocação representa 21,2%, o restante de 20,2% representam outras causas variadas.

FIGURA 1: Dados de mortes por trauma infantil

Fonte: Criança segura, 2017.

O trauma não afeta apenas a vida de vítima, mas também toda a sua família. Alguns pais, quando um filho sofre lesão ou morre por “causa acidental”, acabam tendo que se ausentar do trabalho para cuidar da criança que se encontra hospitalizada, o que reduz a renda familiar. Além disso, a criança que sofre um trauma precisa se ausentar das atividades escolares, o que provoca a perda de conteúdo e do convívio com os colegas, algo que pode impactar negativamente seu desempenho escolar (CRIANÇA SEGURA, 2020).

Estudos afirmam que 90% dos traumas “não são acidentes” e desta forma podem ser evitados com medidas simples de PREVENÇÃO, como não deixar produtos tóxicos ou inflamáveis ao alcance das crianças, não as deixar sem supervisão, protegê-las adequadamente quando forem passageiras de algum veículo, entre outras ações.

OS “ACIDENTES” DE TRÂNSITO

Segundo o Ministério da Saúde (2018), os eventos relacionados ao trânsito representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Esses traumas ocorreram quando elas estavam na condição de ocupantes do veículo e por meio de atropelamentos.

Como proteger as crianças no carro?

  • Nunca saia de carro com crianças sem usar os dispositivos de retenção veicular. Esteja sempre atento, pois muitas colisões acontecem próximas à área de destino e origem;
  • Só use bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação que possuem o selo do inmetro ou a certificação americana ou europeia;
  • Certifique-se que eles sejam apropriados à idade da criança e que se adaptem adequadamente ao veículo;
  • Quando as crianças forem usar o cinto de segurança, lembre-se que ele foi projetado para pessoas com com no mínimo 1,45m de altura. Se a criança ainda não atingiu essa altura, ela precisa usar o assento de elevação para evitar que se machuque gravemente em caso de acidente;
  • Crianças até os 10 anos de idade devem ser transportadas no banco do veículo automotivo, usando o cinto de segurança. E até os sete anos e meio elas devem usar um dispositivo de retenção veicular (bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação). Esses dispositivos, quando usados e instalados corretamente, reduzem em até 71% a chance de morte de uma criança em caso eventos relacionados ao trânsito (DNIT, 2019).

FIGURA 2: Dispositivos de retenção veicular

Há um elevado número de atropelamentos na faixa pediátrica, porque as crianças apresentam estatura baixa, não enxergam por cima de carros estacionados e ficam escondidas do campo de visão do motorista. Elas também apresentam um campo de visão mais estreito e muitas vezes não veem um carro se aproximando, não avaliam corretamente a distância, a velocidade e o tempo que um veículo está em relação a elas. São distraídas e não sabem reconhecer o perigo.

 Como proteger as crianças na rua?

  • Ensine para as crianças a atravessar as ruas olhando para ambos os lados várias vezes e atravessá-la somente quando estiver livre. Explique que elas nunca devem correr para a rua sem olhar, seja para pegar uma bola, um animal de estimação ou por qualquer outro motivo;
  • Não permita que crianças menores que 10 anos andem sozinhas pelas ruas;
  • Entradas de garagens, quintais sem muro, ruas ou estacionamentos não são locais seguros para as crianças brincarem sozinhas;
  • Ensine para todos, desde pequenos que é preciso usar a faixa de pedestre sempre que possível e quando não houver faixa de pedestre, devem procurar outros locais seguros para atravessar, seja em passarelas ou próximo a lombadas eletrônicas;

E quando estiverem de bicicleta, skate ou patins?

  • Ao brincarem com bicicleta, skate ou patins, as crianças precisam de vigilância constante de um adulto. Além disso essas atividades devem acontecer em locais próprios, como parques, ciclovias e praças, fora do fluxo de carros e longe de piscinas e sacadas;
  • Ao andar de bicicleta, as crianças devem sempre usar sapatos fechados e evitar cadarços folgados ou soltos;
  • Crianças devem sempre usar equipamentos de segurança, como capacete, joelheira e cotoveleira. Eles devem sempre conter o selo do inmetro;
  • Verifique se o capacete está devidamente ajustado à cabeça da criança: é preciso que ele esteja centrado na parte de cima da cabeça e sem balançar para frente, para trás ou para os lados.

AFOGAMENTOS

Os afogamentos são a segunda maior causa de morte entre crianças com idade de zero a 14 anos. A média de óbitos é de 2,6 por dia (BRASIL.MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018; CRIANÇA SEGURA, 2018). , Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) (2019), 47% dos óbitos por afogamentos ocorrem até os 29 anos de idade, e 52% das mortes na faixa de 1 a 9 anos ocorrem em piscinas e residências.

O afogamento ocorre de forma rápida e silenciosa, e pode acontecer em um breve momento em que a criança se encontra sozinha e sem supervisão de um responsável. Com apenas dois minutos submersa, a criança perde a consciência e após quatro minutos ocorrem danos irreversíveis ao cérebro. Isso acontece pois as crianças têm a cabeça mais pesada que o corpo, crianças até quatro anos de idade não têm força suficiente para se levantarem sozinhas e nem mesmo a capacidade de reagir rapidamente em uma situação de risco, por isso em caso de quedas ou desequilíbrios elas podem se afogar até mesmo em recipientes com apenas 2,5 cm de água. (CRIANÇA SEGURA, 2019).

Prevenção de afogamentos:

  • Mantenha sempre atenção 100% nas crianças e com distância de um braço mesmo na presença de um guarda-vidas;
  • O acesso a piscina deve ser restrito com uso de grades ou cercas;
  • Utilize portões para piscinas auto-travantes a uma altura que impeça a criança de entrar no recinto que esteja sem adultos;
  • Use ralos anti-aprisionamento para evitar a sucção de cabelos e partes do corpo;
  • Nade onde exista a segurança de guarda-vidas;
  • Evite deixar brinquedos e outros atrativos próximos à piscina e reservatórios de água;
  • Crianças devem aprender a nadar com instrutor qualificado;
  • Use coletes salvas vidas nas crianças, pois boias e outros equipamentos infláveis podem estourar ou virar a qualquer momento;
  • Em praias obedeça as sinalizações dos guarda-vidas e evite nadar em locais com bandeiras vermelhas;
  • Ensine as crianças a respeitarem as placas de proibições nas praias e guarda-vidas;
  • Crianças pequenas podem se afogar em qualquer recipiente com mais de 2,5 cm de água ou outros líquidos, seja uma banheira, pia, vaso sanitário, balde, piscina ou rio;
  • Depois de utilizar o balde, mantenha-o vazio, virado para baixo e fora do alcance das crianças;
  • Mantenha cisternas, tonéis, poços e outros reservatórios domésticos sempre trancados;
  • Tenha sempre um telefone próximo à área de lazer e o número do atendimento de emergência (SAMU: 192 e Bombeiros: 193).

SUFOCAÇÃO

A sufocação ou obstrução das vias aéreas é a terceira maior causa de morte em crianças de até 14 anos. Dados mostram que 777 crianças com essa faixa etária morreram vítimas de sufocação em 2018, desse total, 581 (74,7%) tinham menos de um ano de idade (BRASIL.MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018).

Segundo o Criança Segura (2019), crianças menores de quatro anos encontram-se mais vulneráveis a sufocações e engasgamentos, pois a boca, garganta, esôfago e traqueia são pequenas e, nessa fase, elas têm a tendência natural de colocar objetos na boca. Ainda nessa idade, possuem baixa experiência em mastigar e engolir e seus dentes têm proporção menor que os de um adulto, o que dificulta a mastigação apropriada dos alimentos. Em bebês a falta de habilidade em levantar a cabeça ou livrar-se de lugares apertados coloca-os em risco.

Prevenção de sufocação na hora de comer:

  • No momento da alimentação, corte em pedaços bem pequenos os alimentos;
  • Não dê alimentos redondos e duros (uvas, pipoca, cenoura crua);
  • Ensine a criança a comer sentada e com a boca fechada, isso ajudará a prevenir que a criança tente falar e comer ao mesmo tempo.

Prevenção de sufocação na hora de dormir:

  • Use berços certificados pelo Inmetro;
  • Verifique se as grades de proteção do berço estão fixas e se a distância entre elas não é maior do que 6 cm;
  • Bebês devem dormir em colchão firme, com a barriga para cima, cobertos até a altura do peito com lençol preso em baixo do colchão e com os membros superiores para fora;
  • É importante não haver brinquedos, travesseiros, cobertores e qualquer outro objeto macio no berço quando o bebê estiver dormindo.

Prevenção de sufocação na hora de brincar:

  • Procure brinquedos com o selo do Inmetro e leve em consideração sua idade. Siga as recomendações do fabricante;
  • Separe os brinquedos, pois alguns destinados a crianças maiores podem ser perigosos para as menores;
  • Averigue sempre os brinquedos em busca de partes pequenas que podem se soltar;
  • Evite ter em casa balões de látex (bexigas). Se for realmente preciso, guarde-os fora do alcance das crianças e supervisione-as durante toda a brincadeira;
  • Brinquedos e roupas com correntes, tiras e cordas com mais de 15 cm devem ser evitados; isso irá reduzir o risco de estrangulamento.

Prevenção de sufocação em casa:

  • Mantenha o piso livre de objetos como botões, colar de contas, bolas de gude, moedas;
  • Ensine as crianças para não brincarem dentro ou ao redor de carros, móveis e utensílios domésticos grandes (geladeiras, máquinas de lavar, armários, etc.), pois caso entrem nesses lugares, há o risco de ficarem presas e não conseguirem respirar normalmente.

Prevenção de sufocação no carro:

  • Não deixe as crianças sozinhas dentro do carro, mesmo com o vidro aberto;
  • Tenha certeza de que todas as crianças deixaram o veículo quando chegar ao seu destino;
  • Sempre tranque as portas e porta-malas do veículo e sempre mantenha as chaves e os controles automáticos do carro fora do alcance das crianças;
  • Os cintos de segurança também podem representar risco, não deixe elas brincarem com eles;
  • Se você vir uma criança sozinha dentro de um carro, ligue para o 190 imediatamente.

 

ENGASGO: O QUE FAZER?

  • Engasgo em bebês:

Em caso de engasgo em crianças MENORES QUE 1 ANO, execute a manobras de desobstrução abaixo:

FIGURA 3: Manejo do engasgo em bebês

Fonte: Imagens concedidas pela Liga Acadêmica de Clínica Cirúrgica de Rondônia (LACCRO)

  • Crianças:

Em caso de engasgo em crianças MAIORES QUE 1 ANO e adolescentes, execute a manobras de desobstrução abaixo:

FIGURA 4: Manejo do engasgo em crianças

Fonte: Imagens concedidas pela Liga Acadêmica de Clínica Cirúrgica de Rondônia (LACCRO)

 

REFERÊNCIAS

  • O que é o Trauma? [Internet]. Disponível em: http://cobralt.com.br/o-que-e-trauma/. Acesso em: 13 abr. 2020.
  • Criança Segura Brasil. Conheça os dados sobre acidentes. [Internet]. Disponível em: https://criancasegura.org.br/entenda-os-acidentes/. Acesso em: 13 abr. 2020.
  • Ministério da Saúde. Prevenção de acidentes com crianças e adolescentes. Brasília, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. Acesso em: 14 abr. 2020.
  • Criança Segura Brasil. Ranking dos acidentes que mais matam e ferem crianças no Brasil. [Internet]. Disponível em: https://criancasegura.org.br/noticias/acidentes/ranking-dos-acidentes-que-mais-matam-e-ferem-criancas-no-brasil-2018/. Acesso em: 13 abr. 2020.
  • Criança Segura Brasil. Como prevenir acidentes de trânsito. [Internet]. Disponível em: https://criancasegura.org.br/categoria-. Acesso em: 13 abr. 2020.
  • Criança Segura Brasil. Como prevenir afogamentos. [Internet]. Disponível em: http://criancasegura.org.br/categoria-dica/area-.Acesso em: 13 abr. 2020.
  • Criança Segura Brasil. Como prevenir sufocação e engasgamento. [Internet]. Disponível em: http://criancasegura.org.br/categoria-. Acesso em: 14 abr. 2020.
  • Saiba mais sobre a Lei da cadeirinha’’ e qual modelo corresponde a cada fase das crianças. [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br. Acesso em: 13 abr. 2020.
  • Afogamentos – medidas de prevenção em diferentes cenários. [Internet]. Disponível em: https://www.sobrasa.org/afogamentos-medidas-de-prevencao-em-diferentes-cenarios-sobrasa/. Acesso em 25 abr. 2020.

 

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