Cadeia de Sobrevivência do Afogamento

20 de dezembro de 2021


Cadeia de Sobrevivência do Afogamento

A cadeia de sobrevivência do afogamento é um passo a passo que inclui todas as ações que envolvem a prevenção do afogamento até a ida da vítima para o hospital, quando necessário. As medidas tomadas no ambiente extrahospitalar são de suma importância para a sobrevivência da vítima, e é por isso que pessoas que não trabalham na área de saúde e de resgates devem ser ensinadas sobre como agir nessas situações.

1 – PREVENÇÃO

É a ferramenta mais importante e evita até 99% dos afogamentos.

Prevenção ativa: intervenção no ambiente aquático. Consiste em restringir o acesso, instalar redes de proteção nas piscinas, sinalizar locais de risco, informar, abrir posto de guarda-vidas, realizar medidas de antissucção em piscinas e outras.

Prevenção reativa: são as medidas que reprimem comportamentos de risco por parte do usuário em áreas aquáticas. Geralmente se caracterizam por apitar, impedir brincadeiras de risco, orientar, advertir ou deslocar pessoas ou comunidades em locais de risco e outras.

Ambiente residencial:

  • Crianças devem ser supervisionadas por adultos em 100% do tempo enquanto estão em piscinas ou banheiras. Fique sempre próximo, preferencialmente à distância de um braço da criança.
  • Áreas de serviço e quintal com piscinas não devem ser frequentados por crianças sem supervisão de adultos;
  • Tanques, bacias e banheiras devem sempre ser esvaziados após o uso, não importa o nível da água;
  • Mantenha sanitários, caixas d’água, poços, máquinas de lavar ou qualquer recipiente com água bem fechados.

Piscina

  • Crianças devem ser supervisionadas por adultos em 100% do tempo enquanto estão em piscinas (mesmo que na presença de um guarda-vidas) ou banheiras. Fique sempre próximo, preferencialmente à distância de um braço da criança.
  • Aprenda a agir diante de uma emergência aquática;
  • Clubes devem ter guarda-vidas certificado por entidade reconhecida pela SOBRASA, para cada piscina, devidamente equipado com seu flutuador de resgate;
  • Sucção de cabelo e partes do corpo como braços e pernas devem ser evitados com uso de ralos anti-aprisionamento, redução da sucção por ralo e precauções de desligamento do funcionamento da bomba;
  • Piscinas devem ser cercadas por grades ou cercas transparentes com portões auto-travantes, a uma altura que impeça crianças de entrar na piscina e suas margens sem um adulto para supervisionar.
  • Mantenha caixas d’água e vasos sanitários, sempre fechados, esvazie banheiras e máquinas de lavar e vigie crianças na piscina

 

Rios

  • Se o rio não tem corredeira, vá apenas até onde o nível da água atinge os joelhos e esteja sempre de colete. Caso o rio tenha corredeira, jamais entre na água e, se estiver em alguma embarcação, use sempre o colete salva vidas;
  • Tenha alguém que saiba ajudar por perto sempre;
  • Não entre na água caso tenha consumido álcool!
  • Caso esteja diante de um afogamento, não entre na água para ajudar. Ligue 193, jogue material flutuante como madeira, garrafas de água vazias e caixas de plástico e espere pela ajuda de um profissional;
  • Caso esteja em perigo, mantenha a calma, flutue e acene por socorro e não nade contra a correnteza.

 

 

Praias:

  • Não entre na água sem a presença de um guarda-vidas e se tiver consumido álcool ou outras drogas;
  • Respeite as sinalizações e avisos, e não entre na água com bandeira vermelha;
  • Caso seja pego por uma corrente, mantenha a calma! Não lute contra a corrente, flutue e acene por ajuda imediatamente;
  • Locais com costões e com pedras são impróprios e representam perigo importante e risco de morte! Não entre na água próximo a esses locais;
  • Caso esteja diante de um afogamento, não entre na água para ajudar. Ligue 193, jogue material flutuante como madeira, garrafas de água vazias e caixas de plástico e espere pela ajuda de um profissional.

 

2 – RECONHECENDO O AFOGADO

Qualquer atitude de ajuda deve ser precedida pelo reconhecimento de alguém que pode se afogar e de alguém que está se afogando.

BANHISTA COM POTENCIAL DE AFOGAMENTO:

  • Entra na água de forma estranha;
  • Nada e não se desloca;
  • Fica exatamente no local de maior risco;
  • Nada contra a força da correnteza.

 

BANHISTA QUE ESTÁ SE AFOGANDO:

Ao contrário da crença popular, alguém que está se afogando não acena com a mão e geralmente nem grita por socorro pois, nesse momento, manter a respiração é a prioridade.

  • O banhista encontra-se tipicamente em posição vertical, com os braços estendidos lateralmente e batendo na água. Pode parecer que ele está brincando, mas fique atento aos demais sinais de afogamento para proceder de forma correta;
  • A vítima pode submergir e emergir a cabeça várias vezes para tentar se manter na superfície.
  • As crianças podem resistir por 10-20 segundos antes de submergir, enquanto adultos suportam por até 60 segundos. Por isso é extremamente importante reconhecer o afogamento o mais rápido possível!
  • Os cabelos pode estar escondendo o rosto;
  • O rosto apresenta expressões de desespero e medo;
  • O banhista nada em pé e não bate as pernas.

 

COMO PROCEDER DIANTE DE UM AFOGAMENTO?

  • Dê o alarme de que algo está acontecendo imediatamente;
  • Ligue para o SAMU (192) ou para o Corpo de Bombeiros (193) ou peça para que alguém o faça;
  • Avise sobre o afogamento
  • Avise o que está acontecendo detalhadamente: quantas pessoas estão envolvidas, localização e o que você já fez ou pretende fazer;
  • Não entre na água para tentar resgatar a vítima, pois você pode acabar se afogando também!
  • Você pode jogar objetos flutuantes na tentativa de ajudar, mas apenas profissionais devidamente treinados podem removê-la da água.

 

3 – FORNEÇA FLUTUAÇÃO

Após reconhecer que alguém está se afogando e pedir ajuda, interrompa o processo de afogamento fornecendo flutuação. Essa estratégia, apesar de pouco usada, é muito importante e ganha tempo valioso até que o serviço de emergência chegue ao local ou até que uma estratégia seja traçada para resgatar a vítima.

O ideal é jogar dispositivos de segurança como boias salva-vidas, mas nem sempre elas estão disponíveis. Nesse momento, improvise! Além de caixas de isopor e espumas diversas, você também pode jogar para a vítima:

 

IMAGEM 1: Objetos flutuantes

 

E SE VOCÊ FOR A VÍTIMA? O QUE FAZER?

  • Fique calmo! Lutar contra a correnteza causa desgaste e acelera o afogamento. Desgaste desnecessário pode levar à morte!
  • Fique apenas flutuando e acene por socorro. Se alguém puder lhe ouvir, grite, caso contrário evite o desgaste.
  • No mar, deixe-se levar para o alto mar ou nade até lá, pois essa área está fora do alcance da arrebentação das ondas. Lá, acene por socorro e aguarde. Se avistar um banco de areia, pode tentar alcançá-lo.

 

 

  • REMOVENDO A VÍTIMA DA ÁGUA

 

Após promover flutuação e interromper a submersão, é preciso interromper o afogamento removendo a vítima da água. Leigos não devem tentar remover a vítima da água, pois não possuem treinamento adequado para isso e podem também se afogar na tentativa de salvamento.

 

  • Aponte para a vítima locais seguros e próximos para os quais ela pode nadar e sair da água;
  • Jogue objetos para ajudar a vítima a sair da água: se você estiver em uma piscina e a vítima a uma distância curta de você (até 4 metros), pode estender um cabo de vassoura, um galho ou uma corda para a vítima. Caso a vítima esteja longe de você (entre 4 e 10 metros), atire uma boia (garrafa de dois litros fechada, tampa de isopor, tábua de madeira, bola entre outros objetos que flutuem) com uma das extremidades amarradas por uma corda. Use a corda para puxar a vítima para a margem assim que ela agarrar-se ao objetivo flutuante.
  • Após cessar o afogamento, é necessário transportar a vítima da água para a areia caso esteja em uma praia.

 

  • SUPORTE DE VIDA

Felizmente, a maioria das vítimas é resgatada precocemente e aspiram pouca quantidade de água, com resolução espontânea do quadro e sem necessidade de intervenção médica. Contudo, vítimas que apresentam sinais de aspiração importante como grande quantidade de espuma na boca ou no nariz, precisam de socorro médico. A imagem abaixo demonstra a gravidade dos afogamentos. Não pare ainda, siga os próximos passos!

  • Até que a ajuda médica chegue, você é fundamental Ao chegar na areia ou na borda da piscina, posicione o afogado paralelo à água, com a cabeça e o tronco na mesma linha horizontal. O socorrista deve ficar com as costas voltadas para a água, e a vítima com a cabeça do lado esquerdo do socorrista;
  • Não remova a água aspirada para não retardar o início da ventilação e da oxigenação. Além disso, tentar remover a água pode provocar vômitos que podem ser aspirados;
  • Cheque a resposta da vítima perguntando se ela o escuta;
  • Se houver resposta, significa que a gravidade do afogamento é 1, 2, 3 ou 4. Nesses casos, coloque a vítima em posição lateral de segurança e avalie se há necessidade de atendimento hospitalar. Se houver necessidade de suporte médico, você pode aguardar a chegada da ambulância ou fazer a remoção para o hospital;
  • Caso a vítima não responda, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou para o Corpo de Bombeiros (193) ou peça alguém para fazer isso. Chame também o guarda-vidas caso haja um no local. Nesse momento, você deve checar se a vítima inconsciente está respirando. Abra as vias aéreas, colocando dois dedos da mão direita no queixo e a mão esquerda na testa, e estenda o pescoço;
  • Observe os movimentos do tórax, ouça e sinta a entrada e saída de ar para confirmar se a vítima respira;
  • Se a vítima respira, a gravidade do afogamento varia de 1 a 4, e você pode colocá-la em posição lateral de segurança;
  • Cheque sinais de circulação (movimentos ou reação à ventilação realizada). Se houver sinais de circulação, é uma parada respiratória (gravidade 5), e você deve manter um ritmo de 10 ventilações por minuto até o retorno espontâneo da respiração.
  • Se não houver sinal de circulação, inicie as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP)

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

  • AMERICAN HEART ASSOCIATION et al., Destaques das atualizações direcionadas nas Diretrizes de 2019 da American Heart Association para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência. 2020. Edição em Português. Disponível em: <https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelinesfiles/ highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf >. Acesso em: 06 jul. 2021.
  • Afogamentos – medidas de prevenção em diferentes cenários. [Internet]. Disponível em: <https://www.sobrasa.org/afogamentos-medidas-deprevencaoem- diferentes-cenarios-sobrasa/>. Acesso em 06 jul. 2021.
  • Manual de Emergências Aquáticas 2019. [Internet]. Disponível em: < https://www.sobrasa.org/manual-deemergencias- aquaticas/>. Acesso em: 06 jul. 2021.
  • SZPILMAN, D.; NEWTON, T.; CABRAL, P. M. S. Capítulo Afogamento. Livro “TRAUMA – A doença dos Séculos”, Editor chefe Evandro Freire–SP-Editora Atheneu–2001, Cap, v. 163, 2003.
  • Qual a melhor abordagem no afogamento com parada respiratória ou PCR? ABC X CBA X só compressão. [Internet]. Disponível em: <https://www.sobrasa.org/qual-amelhor- abordagem-no-afogamento-com-parada-respiratoria-ena- pcr-abc-x-cab-x-so-compressao/>. Acesso em 09 julh. 2021.
  • SZPILMAN, D. Diretriz de ressuscitação 2017 – Afogamento. 2017. Disponível em: < http://www.szpilman.com/new_szpilman/szpilman/ARTIGOS/afo gamento_szpilman_diretriz_17.pdf>. Acesso em: 08 jul. 2021.

 

 

QUESTÕES

  • Qual é a gravidade de um paciente em afogamento com saída de espumas pela boca porém com pulso palpável?
  1. Grau 1
  2. Grau 2
  3. Grau 3
  4. Grau 4

 

  • Quanto as alterações fisiopatológicas do afogamento, a mais importante é:
  1. Apneia
  2. Tosse
  3. Hipóxia
  4. Assistolia

 

  • Com relação ao afogamento, julgue o próximo item.

A morte por afogamento pode dar-se por asfixia propriamente (afogado azul), por inibição ou choque vagal (afogado branco). Nesse último, também denominado afogamento-inibição, a parada cardíaca é explicada pela estimulação vagal, procedente dos filetes nasorrespiratórios, glóticos e carotídeos.

  1. Certo
  2. Errado

 

  • Qual é a conduta frente a um paciente afogado classificado como grau 6?
  1. Oxigenioterapia
  2. Realizar manobra de elevação do mento e tração da mandíbula
  3. Fazer duas ventilações artificiais

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