LIGA-SE A ESSA IDEIA CHAMADA LIGAS DO TRAUMA

16 de abril de 2020


LIGA-SE A ESSA IDEIA CHAMADA LIGAS DO TRAUMA

Por: Romeo Lages Simões 

O fenômeno das Ligas Acadêmicas de Trauma notoriamente ganha espaço nas Escolas Médicas brasileiras. Mas por qual motivo esse rápido crescimento adquire novos adeptos e conquista o respeito de professores / preceptores nas diversas faculdades e universidades do país?

Para responder a esse questionamento, precisamos voltar ao passado e entender o processo histórico da formação das Ligas do Trauma. A primeira Liga do Trauma surgiu no ano de 1992, dentro da Disciplina de Cirurgia do Trauma da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), quando Dr. Mário Mantovani começou a estimular as reuniões de grupos de estudantes que queriam aprender a respeito do tratamento aos pacientes vítimas de trauma. Desde o início, umas das grandes preocupações era proporcionar aos acadêmicos de medicina o tripé básico da educação: ensino, extensão e pesquisa.

E assim, essa pequena semente foi sendo semeada ao longo do extenso território brasileiro. Durante esse processo, surgiu a idéia de formar um congresso que fosse elaborado e desenvolvido pelos ligantes do trauma e assim  nasce o Congresso Brasileiro das Ligas do Trauma (CoLT), o que fortalece ainda mais as ações das ligas do trauma. Desde o início, o CoLT foi criado para ser realizado anualmente e com uma característica muito importante: ser itinerante. O caráter itinerante possibilitava que o congresso fosse todo ano para um dos rincões desse imenso país, estretitando cada vez mais os laços entre as inúmeras ligas do trauma que estavam crescendo pelo Brasil.

Para garantir o crescimento ordenado e estruturado das inúmeras ligas que cresciam e se desenvolviam pelo país, surge a ideia de criar um comitê para nortear as ações e funções, além de integrar as ligas nacionalmente. Surge assim, no ano de 2003, o Comitê Brasileiro das Ligas do Trauma (CoBraLT). O Comitê  possui como objetivo o de propôr  a reunir e representar todas as Ligas do Trauma do Brasil, além de estimular o surgimento de novas Ligas Acadêmicas do Trauma. Desta forma, as ligas poderiam traçar planos de ação conjunta, além de consolidar o ensino-extensão-pesquisa na área do trauma. Assim, o CoBraLT contribuiu para a formação complementar do aluno envolvido, bem como assumiu o compromisso com seu papel de responsabilidade social, por meio da prevenção e tratamento do trauma, o que indubitavelmente propicia uma melhor atenção à vida dos brasileiros.

Embora haja opiniões divergentes a respeito do real papel das ligas do trauma, atualmente as mesmas representam papel importante na formação dos estudantes de medicina nas mais diversas faculdades espalhadas pelo país. Algumas escolas não oferecem aos seus futuros médicos disciplinas específicas para a adequada formação ao atendimento das urgências e emerências, sobretudo o atendimento ao trauma e a cirurgia do trauma. Cabe ressaltar que as ligas acadêmicas, em hipótese alguma, devam assumir o papel de formação dos estudantes de medicina durante a graduação, uma vez que suas ações são realizadas em caráter extra-curricular. Na verdade, essa obrigatoriedade deve estar contida nos Planos Pedagógicos dos Cursos (PPC’s) de Medicina, com planos de ensino inseridos bem especificados ao longo dos seis anos do curso. Infelizmente, a grande maioria das faculdades de medicina não seguem as recomendações da Associação Brasileira de Ensino Médico (ABEM), o que faz com que a formação dos alunos seja incipiente quando se trata das Urgências / Emergências / Trauma.

Em decorrência dessa falácia na formação médica, as Ligas do Trauma surgiram e cada vez mais estão ocupando esses espaços, minimizando o déficit na formação dos acadêmicos quando se trata do tema trauma. Há de se ressaltar que para um bom desempenho das funções das Ligas do Trauma é preponderante a supervisão de seus Coordenadores, profissional da área responsável por supervisionar as atividades da liga, evitando que a ação dos estudantes ocorra de maneira independente e sem viéses no caráter de formação. Isto de fato é algo preocupante e que podem trazer grandes malefícios aos acadêmicos. Por isto, boas ligas possuem bons orientadores que nortearão suas ações no tripé ensino – extensão – pesquisa, garantindo também à população a função social que as mesmas deverão exercer, sobretudo nas ações de prevenção e consientização, minimizando os efeitos deletérios da doença trauma.

Vale a pena dizer que, além de serem supervisionadas pelo CoBraLT, as Ligas do Trauma estão sob a chancela da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Trauma (SBAIT), orgão máximo nacional responsável pelas ações de prevenção e tratamento ao trauma em nosso país. Ser reconhecida pela instância máxima responsável pelos cuidados ao trauma no Brasil, concede às ligas um reconhecimento de suas ações e funções.

Em últimas palavras, por toda sua organização histórica e ações padronizadas, as Ligas do Trauma hoje são uma grata realidade nas escolas médicas do Brasil, mesmo que ainda em caráter extra-curricular. Mais do que isto, as Ligas do Trauma deixaram um grande legado para as ligas acadêmicas de Medicina desde a sua estruturação, permeando pelas representações ligadas ao Comitê Brasileiro (CoBraLT) e sendo tutelada pela sua Sociedade de representatividade máxima (SBAIT), bem como pela organização independente de um congresso elaborado e desenvolvido pelos seus estudantes (CoLT). As ligas do trauma foram plantadas e semeadas em um passado recente e, felizmente, suas raízes são sólidas. Liga-se nessa idéia, as Ligas do Trauma podem conceder bons frutos ao processo de ensino e aprendizado dos nossos estudantes de Medicina.

As informações aqui explanadas não retratam a opinião deste comitê ou de seus membros, apenas a do colunista.

 


Prof. Ms. Romeo Lages Simões
Cirurgião Geral Avançado e do Trauma pela UNICAMP
Prof. Coordenador do Internato Médico de Urgências e Emergências da Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares
Prof. Coordenador dos módulos de Urgência e Emergência / Fundamentos da Cirurgia e Clínica Cirúrgica I da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE)
Orientador das Ligas do Trauma da UFJF/GV (LATE-GV) e UNIVALE (LACITE-GV).
Email: romeolagessimoes@gmail.com
Tel: 33 99908-4114

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